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Cartilha orienta idosos sobre como se cuidar e manter a saúde em meio à pandemia

Conteúdo elaborado por pesquisadores da USP traz dicas sobre saúde física e mental durante o isolamento social

Considerados um dos grupos mais vulneráveis aos riscos apresentados pelo coronavírus, os idosos devem estar atentos a todos os cuidados necessários em meio à quarentena. Para ajudar a informar a população sobre o tema, um grupo de professores e estudantes do bacharelado e da pós-graduação em Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu a cartilha “Envelhecimento saudável em tempos de pandemia”. 

De forma didática, o documento apresenta informações sobre o vírus, principais formas de prevenção e explica a importância do isolamento social neste momento. A cartilha também disponibiliza uma série de dicas para que os idosos mantenham o cuidado físico e mental durante a quarentena.

Em entrevista ao programa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, Meire Cachioni, coordenadora do LabEduca60+, destacou que a velhice não dever ser associada à doença, o que considera uma visão completamente estereotipada do processo do envelhecimento. Mesmo durante a pandemia, os idosos podem e devem se manter ativos, estimulando processos novos de aprendizagem. 

“A cartilha é um instrumento para que os idosos possam perceber, da maneira mais natural possível que, mesmo com tantas informações, há a possibilidade de viver de uma maneira relativamente tranquila”, afirmou Cachioni.

“Esse pode ser um momento bastante interessante de aprendizado e de momentos diferentes. A cartilha dá algumas dicas, que vão desde poder fazer exercícios físicos em casa, incrementar a alimentação e desenvolver questões ligadas à estimulação cognitiva, como a leitura. Tem algumas dicas de livros, filmes e seriados”, detalha a pesquisadora. 

Apropriar-se da tecnologia para manter o contato com entes queridos, manter uma rotina saudável e consumir notícias sobre a pandemia de uma maneira equilibrada e disponibilizadas por fontes seguras, são outras orientações da cartilha. Faça o download aqui e tenha acesso a todas as orientações.

Confira a entrevista na íntegra. 
   
Brasil de Fato - Quais são as informações que a população pode encontrar na cartilha?

Meire Cachioni  - Nós temos um conteúdo bastante rico dentro da cartilha, que envolve desde informações bastante básicas, como, por exemplo, quais são os sintomas do coronavírus, questões ligadas à transmissão, à existência ou não de vacinas e prevenção. Também apresenta explicações gerais sobre o comportamento. Ou seja, o comportamento quando se está dentro de casa e ao sair de casa para realizar as atividades. Mesmo em isolamento social sabemos que é necessário ir ao supermercado, na farmácia, fazer compra de necessidades básicas.

Temos informações ligadas à própria questão do isolamento social, o que é, e porque é importante neste momento. É algo nunca vivido para a maior parte das pessoas, tanto jovem quanto idosas. Só pessoas que viveram momentos de guerra ou de pandemias no passado é que podem falar um pouco disso. Mas agora, no contemporâneo, ninguém viveu de maneira tão presente questões tão complicadas.

Damos explicações desse momento atípico e também de comportamentos de prevenção ligados aos sentimentos. Pensamentos, emoções, comportamentos, espiritualidade. Muitas pessoas ficam absolutamente apavoradas, podem ficar com pensamentos ligados o tempo inteiro na situação atual, sem conseguir gerenciar muito bem suas emoções. 

É óbvio que é absolutamente normal não conseguirmos levar um cotidiano normal porque estamos em uma situação de isolamento, afastamento, mas não é por isso que vamos mudar nossa vida de maneira que ela se torne absolutamente insuportável. 

Temos que lançar mão de questões importantes dentro de casa. Como nos relacionarmos, mesmo à distância. Termos um convívio familiar mesmo que não seja intenso como tínhamos há meses atrás mas podemos fazer isso por meio das redes sociais. Podemos ter atividades que possam incrementar as nossa próprias atividades de aprendizagem, para que possa ser também o momento de aprender alguma coisa nova.

Sempre falamos que não fazemos tal coisa porque nunca temos tempo. Quem sabe agora não é o momento de poder fazer essas coisas de maneira mais descontraída, de praticar habilidades, de se aventurar para coisas novas. Reorganizar as ideias. Em um cotidiano tão ligeiro como nós temos, às vezes isso é difícil.

Essa questão da oportunidade de aprendizagem me chamou muita atenção na cartilha, que é a ideia de que, na verdade, não tem idade pra aprender. Que sempre podemos conquistar algo novo, inclusive os idosos. 

Sim, exatamente. O que nós queremos deixar claro na cartilha é que, a visão que nós temos, é que a aprendizagem ocorre ao longo de toda vida. Em qualquer circunstância. Não se limita apenas a um ambiente formal, ao ambiente escolar. Pode ser desenvolvida informalmente. 

E essa informalidade pode acontecer vendo televisão, lendo um livro, se aprofundar em questões das próprias redes sociais, conversar com os amigos. Na medida que nos aproximamos de algo diferente, nós aprendemos. Não é preciso estar em uma sala virtual de aprendizagem ou de uma sala de escola para aprender.

Esse pode ser um momento bastante interessante de aprendizado e de momentos bastante diferentes. A cartilha dá algumas dicas, que vão desde poder fazer exercícios físicos em casa, incrementar a alimentação, questões ligadas à estimulação cognitiva como a leitura. Tem algumas dicas de livros, filmes e seriados. 

Temos também dicas que foram passadas pela Sociedade Brasileira de Gerontecnologia, que são dicas de como ter acesso a informações fidedignas sobre o que acontece com o coronavírus. Porque são muitas informações e nem todas são informações verdadeiras ou que podemos fazer bom uso. Dicas de aplicativos para monitoramento da saúde, visitas a museus virtuais.

Colocamos uma série de informações para que as pessoas possam, mesmo em estado de confinamento, ter uma vida relativamente ativa. Não sabemos quanto tempo teremos que ficar nessa situação, é bastante séria. E temos que continuar vivendo da melhor maneira possível.

E qual a importância desse conteúdo ser voltado para a população idosa, com uma linguagem acessível?

A nossa preocupação em desenvolver uma cartilha para idosos é fruto do nosso foco de trabalho e de estudo que temos na Universidade de São Paulo, dentro da área da gerontologia. O que temos percebido? Não só no Brasil, mas em outros país, uma atenção muito especial em relação à vulnerabilidade dos idosos.

Na verdade, o que eu queria destacar é que todos nós somos vulneráveis em um momento atípico como esse. Por que os idosos têm tido uma atenção especial? Porque, em função da idade, podem desenvolver um número maior de comorbidades e, consequentemente, uma exposição maior do coronavírus. Por outro lado, não podemos dizer que todos os idosos estão nessa condição.

São muitos os idosos que estão bem de saúde e que são capazes de viver este momento sem ficar doente e, se ficar, com grande possibilidade de recuperação. Independentemente da idade, se você tem um conjunto de doenças ligadas à cardiopatia, diabetes, por exemplo, você se encontra no grupo de risco.

O problema é que muitas vezes a velhice está associada à doença, um conceito absolutamente errado. Então, os idosos acabam ficando muito expostos nesta situação. "Se é idoso, é doente". E, se ele tem muita doença, pode ter uma reação muito pior para a questão do coronavírus. Isso, na verdade, é uma visão bastante estereotipada do envelhecimento e da velhice propriamente dita.

A cartilha é um instrumento para que os idosos possam perceber, da maneira mais natural possível, que mesmo em meio de tantas informações, tem a possibilidade de viver de uma maneira relativamente tranquila neste momento.

Tem se falado sobre como é essencial manter um rotina, não deixar o sentimento de preocupação dominar nosso cotidiano. Isso também vale pra população idosa, certo?

Sim. Na cartilha damos uma sugestão de agenda diária, de coisas diferentes que é possível fazer. Não é porque estamos dentro de casa que vamos ter uma rotina absolutamente caótica, porque as pessoas podem se sentir mal em relação a isso. Mas é estabelecer a rotina com hábitos saudáveis o quanto for possível.

Conseguir fazer atividades físicas dentro de casa. Ter horários regulares de refeição, de sono. Não adianta dormir o dia todo ou não dormir. Não vai resolver muito a situação. E você pode se colocar até em situações mais desagradáveis. É preciso ter um momento em que se possa relaxar, não ficar o tempo inteiro em busca de informações apenas de coronavírus. Porque a vida não pode se resumir a absolutamente a informações o tempo todo. Se não acaba ficando com os pensamentos centralizados na questão e pode, realmente, ter crise de ansiedades.

Sabemos que muitas pessoas estão procurando atendimento por questões relativas ao estado emocional. Ansiosas, depressivas, e acabam tendo sintomas que levam a crer que estão contaminadas.

Não adianta ficar desesperado. Ter uma rotina é bastante importante. Claro que não conseguimos sair de casa diariamente. Professores, por exemplo, estão dando aula à distância. Essa organização não é nada simples. A rotina de trabalho, quem está trabalhando em casa, tem que ter os horários estabelecidos se não ela vai ficar mais assoberbada do que se tivesse com o trabalho rotineiro.

O mesmo acontece com os idosos. São muitos os idosos ativos que tem uma série de atividades diárias. Na própria USP temos o programa USP 60+, que recebe uma quantidade expressiva de idosos todo semestre para uma série de atividades. Temos tentado manter algumas por meio de vídeo, eles contam o que estão fazendo em casa. Passamos atividade para eles, que continuam ativos.

Não vejo, pelo menos nesse grupo, que sempre teve muita disposição, que estejam isolados ou não fazendo nada. É bastante interessante como eles têm buscado coisas diferentes para fazer, mesmo dentro de casa.

A própria questão de entrar em contato com a tecnologia, fazer chamada de vídeos, por exemplo, algo que às vezes não faziam parte do cotidiano de idosos e agora se inseriram nesse movimento. Como está essa questão?

Temos um número cada vez maior de idosos que buscam o acesso às mídias sociais, à internet. É o grupo que mais cresce em busca das novas tecnologias, principalmente acesso à internet e uso de dispositivos móveis. É muito interessante. De alguma maneira, isso traz uma contribuição tremenda neste momento.

Todos nós estamos vivendo de uma maneira um pouco mais confortável em relação às redes sociais, que conseguimos estabelecer por meio virtual. Os idosos não são diferentes. A idade não está relacionada à possibilidade de aprendizado, e sim a frequência de uso. Quanto mais utiliza-se determinado aparelho, mais habilidades serão desenvolvidas. Quebra também um paradigma de que os idosos têm uma dificuldade absurda desse aprendizados. Verificamos na prática que não. Aprendem e fazem sempre um uso bastante intenso.

Esses cuidados psicológicos e físicos são também para além da pandemia? Uma forma de olhar o processo de envelhecimento com mais carinho?

Exatamente. Por isso que o título da cartilha é "envelhecimento saudável". Colocamos em tempos de pandemia porque não sabemos quanto tempo estaremos nesta situação de pandemia. Imagino que, enquanto não tenhamos uma vacina à disposição, viveremos tempos difíceis. Então, é pensar que mesmo vivendo essa situação tão diferente, que atinge pessoas de todas as idades, podemos sim ter um envelhecimento saudável. Não há porque não, desde que tenhamos uma saúde física e emocional preservadas.

Fonte: Brasil de Fato

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